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Elomar, o gênio do sertão

February 25, 2019

 

 

Vida e formação

 

Elomar Figueira de Melo, nascido no ano de 1937, na Fazenda da Boa Vista (Vitória da Conquista – BA), no longínquo sertão nordestino, é um dos mais geniais e brilhantes compositores brasileiros. Compôs, poetizando e musicando em sua obra, a linguagem sertaneja do Nordeste Brasileiro, mostrando pela experiência pessoal e por excelência a vida sofrida de um povo que labuta constantemente numa terra seca, mas que é grato ao Criador e o louva constantemente.

 

Mesmo morando com sua família na zona rural, Elomar pôde frequentar o primário escolar, o ginasial e, posteriormente, o científico (nomenclaturas dadas ao ensino fundamental, médio e técnico na época). Em 1956 inicia-se no serviço do Exército e, concluído este, volta para o curso científico - que havia abandonado por ocasião da vida militar - e também o conclui. Após a sua não classificação no vestibular de Geologia em 1958, Elomar ingressa no curso de Arquitetura, no ano de 1959, na cidade de Salvador. Tendo se formado em 1964, Elomar finalmente volta para a sua terra natal, a fim de adquirir certo suporte financeiro com sua mais recente profissão, mas, principalmente decidido a escrever a sua música, compor a grandiosa obra que já gritava lá dentro de si.

 

No entremeio dessa trajetória de formação acadêmica há, obviamente, a formação artístico-cultural e as aulas de música de Elomar. Como instrumento central, o nosso músico sertanejo tem o violão, com o qual faz o contraponto do seu canto e o executa com belo virtuosismo. Apesar de não ter em momento algum uma formação acadêmica em Música, Elomar se enquadra na escola do Violão Erudito.

 

Arcabouço musical

 

Não falta genialidade e lirismo naquela que é uma das mais belas e instigantes obras do cancioneiro brasileiro. Ao ouvir a música de Elomar há uma sensação de viagem pelo tempo, uma espécie de teletransporte através das eras da humanidade, como nas palavras da professora Jerusa Pires Ferreira (2001): “é como se ouvisse um canto de milênios”. Com uma exatidão magnífica Elomar cria belíssimos contrapontos ao canto com o violão, elevando a sua performance a um patamar de alta complexidade, pois executa no violão uma linha melódica simultânea ao canto, ora em uníssono ora com variações, fazendo com que o instrumento extravase uma função de mero acompanhador. A Enciclopédia Itaú Cultural (2017) explica

 

            (...) Seu instrumento central é o violão que não assume a postura comum de simplesmente acompanhar a harmonia para o canto. Uma das características de sua obra é o fato dele seguir a mesma linha melódica exposta no canto ou então apresentar pequenas variações em contraponto com a voz. Deste modo, ele realiza a difícil tarefa de ser simultaneamente solista instrumental e intérprete. Certamente o fato de ter formação musical clássica contribui para essa condição solista central do violão e a utilização de timbres, encadeamentos harmônicos, frases típicas deste universo sonoro.

 

 

Em seu processo compositivo Elomar revela sua grande capacidade e excelência em mesclar o melhor de dois mundos, o popular e o erudito. Influenciado pela música erudita que ouviu no rádio quando criança, como a protofonia de O Guarani de Carlos Gomes - universo esse em que tempos depois se aprofundou e estudou dele os gêneros e formas de se fazer, como a ópera, a antífona, o prelúdio e outros – Elomar também sempre se nutriu muito do universo popular da música, como quando em sua juventude acompanhava as serestas, modinhas e mais ainda toda aquela tradição da sua terra, recheada da cantoria nordestina, do repente, dos aboios etc. E Elomar ainda guarda mais maravilhas dentro de seu embornal. É também na linguagem, ou seja, com a escrita de suas canções que Elomar cria, saúda e poetiza as belas melodias de suas cantorias, fundindo as tradições que vive no sertão com as tradições europeias e ibéricas. “Para concretizar essa fusão ele opera evidente transformação na linguagem. Ela se apresenta recheada de arcaísmos, como o latim, com variantes dialetais e neologismos, criando assim um dialeto muito próprio fundado na oralidade sertaneja” (Enciclopédia Itaú Cultural).

 

Elomar Figueira Mello tem discos 17 discos lançados. Alguns desses discos gravados com a colaboração de outros artistas como Xangai, Vital Faria, Heraldo do Monte, Paulo Moura, Arthur Moreira Lima, Jacques Morelenbaum, Geraldo Azevedo e Dércio Marques.

 

Discografia

 

(2016) O menestrel e o sertãomundo (c/ Orquestra Sinfônica Nacional da UFF) – CD

(1995) Cantoria 3 - Elomar -Canto e solo • CD

(1992) Árias sertânicas • Rio do Gavião • LP

(1989) Elomar em concerto • Kuarup • LP

(1988) Concerto Sertanez • LP

(1986) Dos confins do sertão • Trikont • LP

(1985) Sertania • Kuarup • LP

(1984) Cantoria I • Kuarup • LP

(1984) Cantoria 2 • Kuarup • LP

(1983) Cartas Catingueiras • Gravadora e Editora Rio do Gavião • LP

(1983) Auto da catingueira • Gravadora e Editora Rio do Gavião • LP

(1982) ConSertão. Um passeio musical pelo Brasil • Kuarup • LP

(1981) Fantasia leiga para um rio seco • Rio do Gavião • LP

(1979) Parcela malunga • Marcus Pereira • LP

(1979) Na quadrada das águas perdidas • Marcus Pereira • LP

(1972) Das barrancas do Rio Gavião • Phillips • LP

(1968) O Violeiro/Canções da catingueira • Compacto simples

 

Referências

 

ELOMAR . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018.

 Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa560680/elomar >. Acesso em: 04 de Out. 2018. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

 

ELOMAR. In: Dicionário Cravo Albin. Instituto Cultural Cravo Albin. Disponível em: < http://dicionariompb.com.br/elomar/discografia>. Acesso em: 04 de Out. 2018.

 

ELOMAR. In: PORTEIRA Oficial de Elomar. Disponível em: < http://www.elomar.com.br/> Acesso em: 04 de Out. 2018.

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