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O Poder da Música no Cérebro – resenha do artigo “Music and epilepsy: A critical review” por Kaique


Para uma boa compreensão do artigo é necessário uma breve explicação sobre os elementos musicais. A música é composta por três elementos básicos: Harmonia, Melodia e Ritmo. Harmonia é o conjunto agradável de notas musicais (acordes, exemplo violão), melodia são notas tocadas separadamente (piano, sax, voz) e ritmo é a noção métrica-temporal da música (batida, exemplo bateria). Feito isso, daremos introdução à resenha do artigo em questão.

O processamento musical envolve 3 etapas: percepção musical, reconhecimento e emoção. Córtex auditivo primário e o giro temporal superior são áreas responsáveis pela percepção musical. O córtex primário é sensível a percepção do tom, enquanto o de associação auditiva é sensível aos processamentos mais complexos lineares como a melodia e não lineares como a Harmonia. O ritmo é processado no cerebelo, nos gânglios basais e nos lobos temporais superiores. O reconhecimento musica e a emoção envolve o orbito-frontal e o sistema límbico, eles estão envolvidos com a memória musical e com as emoções ligadas a música.

O córtex auditivo primário recebe os aferentes talâmicos do núcleo geniculado medial, que por sua vez se conecta por meio de redes com o córtex de associação auditiva, sistemas mesolímbico e outros córtices multissensoriais. A música ativa muitas áreas cerebrais e isso pode se tornar um problema para algumas pessoas. A epilepsia musicogênica é um desses problemas, um tipo raro de epilepsia onde as crises são desencadeadas por um estilo musical, nota musical, som instrumental ou até mesmo por um específico cantor. Uma analise relatou 110 casos entre 1884 e 2007, em 60 pacientes submetidos a exames de eletrocefalografia (EEG) tiveram predomínio de atividade do lado direito e por meio de tomografias computadorizadas por emissão de fótons, indicaram uma prevalência de 6 casos onde o temporal direito tem anormalidades. Dessa forma, acredita-se que a emoção desencadeada pela música dispara os ataques epilépticos e não a música em si. Entretanto, existem casos relatados em crianças de 6 meses de idade e isso acaba por abalar essa teoria.

Outros distúrbios relacionados com a música são as Alucinações Musicais (Caracterizam-se pela audição de melodias, harmonias ou ritmos com um ou mais timbres instrumentais ou vocais, na ausência de um estímulo exterior correspondente), Amusia (incapacidade de captar os sons musicais, de lembrar-se de uma melodia) e musicofilia (obtenção enorme de prazer por meio da música).

O aumento do raciocínio humano provocado pela música foi chamado de “Efeito Mozart” , descoberto em 1993 por Rauscher em um estudo onde foram analisados estudantes universitários expostos á Sonata de Mozart por 10 minutos. Esse experimento foi comprovado em ratos, quando expostos à sonata na vida uterina ou quando recém nascidos, obtinham maior desempenho ao se orientarem no labirinto em T, diferentemente dos que não eram expostos.

A música possui um alto potencial terapêutico ainda não conhecido em sua totalidade por conta da falta de estudos na área da musicoterapia. Essa ciência já foi usada para melhoras cognitivas em doenças como Parkinson, demência senil e  hiperatividade. Na epilepsia foi comprovado por meio de um estudo que incluiu 11 crianças de Taiwan com idade entre 2 a 14 anos com epilepsia refrataria. O estudo comparou as crises 6 meses antes do tratamento e 6 meses durante a exposição. Foi constatado em 73% das crianças obteve uma melhora de 50% nas crises e em 2 pacientes a inexistência de crises durante o tratamento. A música pode promover a liberação de dopamina inundando assim os sistemas

dopaminérgicos receptores de D2. Em pacientes com epilepsia do lobo temporal, a inundação de dopamina pode potencialmente se comportar como um anticonvulsivante.

Apesar de todos os efeitos positivos da música, já foi constatado muitos efeitos negativos, dentre eles o potencial de convulsividade, podendo aumentar as crises epilépticas em certas pessoas. A musicoterapia já foi utilizada para tratamento de Alzheimer, entretanto as músicas não familiares acabavam agravando o caso clínico do paciente enquanto as músicas familiares ajudavam a amenizar os efeitos da doença. Em casos de perda de memória a musicoterapia vem se mostrando forte no que se diz respeito a tratamento alternativo, seja qual for a causa do problema.

A música esta presente em nosso cotidiano  influenciando nosso comportamento seja em uma loja ou em um elevador onde não vemos o tempo passar, em uma festa ou em qualquer lugar onde esteja, participando na interligação de memórias de situações passadas e na construção de novas memórias. Uma arte milenar que não deve ser vista apenas como arte, mas sim como ciência. Os estudos já provaram o poder que a música exerce sobre quem ouve e quem pratica. Temos que aprofundar os estudos nessa ciência para descobrirmos a forma certa de utiliza-la para fins terapêuticos.


Fonte: http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/?p=1201

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